De onde vem o que eu escrevo?



A minha escrita vem das minhas horas brancas,
dum certo espaço entre o sono e a vigília,
a lucidez e a loucura,
o som e o silêncio.

Este é o fugaz momento em que sou.

Depois, palavras colhidas, frutos selecionados,
mostro-me em fragmentos
- amarela, vermelha, escalas de cinza –
ou oculto em névoa negra aquilo que não quero exposto ao sol.

E mesmo quando me tinjo fractal transparente,
apenas estou.
Representação irreal de mim mesma.

A minha escrita é imagem das cores que visto e das cores que dispo.
(escrito em proposta de exercício do curso 'Erro mas escrevo'. Casa das Rosa, São Paulo, agosto de 2006)

Flores de Qana

O sangue doce que ecoa assombros
produz máculas inférteis
Não haverá mais flores nos jardins de infância!

Vinho tinto vertido em taças unidas
em brinde às tenras flores colhidas
E o vinho vira água e não há mais pão

Às flores mortas no jardim de infância
sobre sangue doce que escoa dos escombros,
ergamos um brinde e lavemos as mãos!

As flores que jazem no jardim da infância brotam-me espinhos.

30 de julho de 2006 : 100 anos de Mario Quintana





"Eu amo-te a perder de vista" - Mario Quintana








Phalaenopsis - Oleo Sobre tela de Snježana Vidović


Poeminha besta para Igor
Da Página vinte
melhores poemas:
Mario Quintana

Cai a flor
sem cheiro
nem cor

Mas acorda
n’alma
gosto de cereja


(Esse poema é um pevetrix, criação da trupe do www.novaliteratura.com).

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