O descaminho das letras disléxicas

“Não há um sentido único num poema”
Haroldo de Campos

“Há algo que jamais se esclareceu: onde foi exatamente que larguei naquele dia mesmo o leão que sempre cavalguei?”
Antônio Cícero

O descaminho das letras disléxicas


Mostrei rota das palavras,

mapa para meu rochedo

Bússola, régua, compasso, direção


Avesso,


Trilhou marginal reversa

Ignorou placas e elipses

Explorou atalhos de destino incerto


Em meio à dislogia,

(entre o dito e o inverso)

encontrou veio próprio


Entranhas expostas,

apertou a sela, pegou das rédeas

Leme livre, roubou meu Leão!

(poema escrito em proposta do curso 'Tudo ao mesmo tempo agora', Casa das Rosas, São Paulo, agosto de 2006)

Estanque elã

(Waiting for Inspiration, Anne Karinglass)

Fogem-me das mãos os versos
Negam-me as palavras
as valsas noturnas

Lápis e papel
Bigorna e martelo
Dedos e teclas

Leite seco
empedrado, hirto
- mudos gritos -

Primeiro silêncio
Segundo silêncio
Terceiro silêncio

E entre as parcas idéias:
espaços infinitos

agigantam-se e agitam-se.


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